Compre meu livro - Explorações Extrafísicas

Compre aqui o livro 'Explorações Extrafísicas'

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Dificuldades na Viagem Astral

 Prof. Guilherme Fauque


Robert Peterson, autor de livros sobre Experiências Fora do Corpo e criador do excelente blog chamado: The OBE Outlook on Life (http://obeoutlook.blogspot.com/), blog realizado deste 2012, criou uma excelente sequência de textos focados nas dificuldades encontradas pelas pessoas na realização das viagens astrais.

Robert Peterson
Peterson afirma que os problemas podem ser classificados em duas partes: Pré-EFC e pós-EFC.

Inicialmente, obviamente, inicia com os problemas pré-EFC, que são aqueles encontrados quando estamos tentando chegar as experiencias fora do corpo, mas ocorrem coisas como a diminuição das vibrações ou o coração a bater rapidamente.

Posteriormente, são tratados os problemas pós-EFCs, que são aqueles que ocorrem depois que você saiu do corpo, como ser puxado de volta ao corpo prematuramente ou ficar preso ao corpo físico e não conseguir se afastar.

Peterson começa, então, com um problema pré-EFC bastante comum. Você tenta sair do corpo, mas nada acontece. Esse é um problema recorrente nas reclamações que recebo via internet. Isso faz com que as pessoas se aborreçam e acabem desistindo de realizar as experiências ou até mesmo relegando-as a mero fruto da imaginação.

Peterson passa alguns passos para se resolver este problemas. Vejamos:

Use sua imaginação ativa

“Se nada acontecer, tente engajar sua imaginação ativa. Quando caímos no sono, nós perdemos o foco.
Nós meio que deixamos nossas mentes vagar até o controle nos escapar”, explica Peterson. Quando estamos tentando a projeção, precisamos nos aproximar do sono, entrar no Estado Hipnagógico, ou seja, naquele estado intermediário entre a vigília e o sono. Mas, se nada parece acontecer quando tentamos nos aproximar, esse é o momento para prestar atenção nos eventos internos.

Peterson cita a técnica ensinada por Robert Monroe, no seu primeiro livro, chamada Linhas de Força, como um exemplo para o foco nas experiências internas. Monroe utiliza duas linhas de energia paralelas do lado de sua cabeça, na altura dos olhos e ao lado das orelhas. Estas duas linhas se cruzam há mais ou menos um metro de distância dos seus olhos. Então, pela concentração, você se concentra neste ponto de convergência e vai estendendo-o para 2 metros, depois para 3 metros, então estas linhas, na altura de suas orelhas, se afastam até formar um ângulo de 90 graus. Então, fixe a atenção no ponto de convergência. Por fim, faça estas linhas subindo (e ainda mantendo o ângulo e distância) para o topo da cabeça. Se não tiver nenhum resultado, afaste mais o ponto de convergência.

Essa prática faz com que você consiga manter o foco internamente e chegar perto do sono concentrado.

Quando nada acontece, diz Peterson, significa que você ainda longe do limiar do sono. Procure assistir o momento do sono, procure estender a consciência o máximo possível.

Quando chegar muito próximo ao sono, naturalmente começará a alucinar: verá imagens o que é chamado de imagens hipnagógicas, ou seja, algumas imagens geométricas, alguns objetos. Também poderá ter alucinações auditivas, como pessoas sussurrando, entre outros sons. Não se assuste, isso é natural e acontece com todas as pessoas. Você começa a entrar no estado de sonho.

Não tenha medo de cair no sono.  Robert Peterson enfatiza que a preocupação pode manter a mente alerta de mais, fazendo com que você não chegue a hipnagogia. Assim, pode ficar insone. Assim, é preciso relaxar e deixar o sono vir ao mesmo tempo que, pela vontade, procura chegar consciente no estado hipnagógico. É normal adormecer muitas vezes até aprender a chegar neste estado.

Por fim, outra importante dica deixada por Peterson é a de não ter medo de se mexer. Muitas vezes a pessoa chega até o momento propício para a separação, mas não toma atitude nenhuma, esperando que a saída aconteça naturalmente. Embora muitos autores digam para se imaginar flutuando, Peterson diz que isso não funciona bem para ele. Então, ele prefere usar uma técnica mais ativa, como o “movimento fantasma”, descrito por Michael Raduga, onde há uma forte ênfase no movimento. Se realmente não tentar sair, provavelmente não acontecerá nada. Do contrário, a paralisia do corpo manterá ele imóvel e então ocorrerá o movimento do corpo astral para fora.

No próximo artigo, iremos abordar a questão tão comum de cair no sono enquanto tenta as práticas. Veremos o que Peterson nos diz referente sobre isso.

 

 

 

domingo, 14 de novembro de 2021

A Natureza do Conflito

 

A NATUREZA DO CONFLITO


Imaginem a cena: Um monge budista, em uma cidade interiorana da China pré-moderna, caminhando pela cidade afim de adquirir suprimentos para o Templo, topa com um grupo de desocupados que decide fazer bullying com o jovem monge. O monge, com sua expressão de paz e tranquilidade, mãos sobrepostas em gasho rei, pouco se importa com os detratores até que, estes avançam o limite das palavras e tentam agredir o monge. Este, então, mostra-se um exímio lutador de Kung Fu, esquivando-se dos seus detratores que lançam golpes ao ar e com poucos movimentos, o monge derrota 4 ou 5 homens sem nem mesmo sujar seu manto laranja.

Neste momento me pergunto. Como um monge budista, defensor da filosofia Chan (ou Zen em japonês), uma pessoa que prega a paz, a harmonia entre os seres, pode ser um exímio lutador de artes marciais, as artes da guerra?

Sun Tzu, grande general chinês e um estrategista tão fenomenal que nunca foi derrotado em batalha, escreveu o famoso livro A Arte da Guerra, que é admirado por todos os estrategistas e artistas marciais do mundo. Como um taoísta, Sun Tzu foi um mestre dos paradoxos. A essência do Arte da Guerra pode ser aplicado a guerra, como a qualquer outro aspecto da vida. E isso nos leva, novamente, ao paradoxo do monge pacífico e mestre em Kung Fu.

O monge e os seus detratores mostram um aspecto comum da vida humana: o conflito. Heráclito de Éfeso, grande filósofo pré-socrático, afirmava que a vida é uma constante luta de opostos. Só conhecemos o bem, porque o comparamos ao mal. Só conhecemos o alto, ao compararmos com o baixo. Temos o velho e o novo, a água e o fogo, a paz e a guerra. Enfim, nesta luta de opostos reconhecemos o contínuo movimento do mundo e a própria dinâmica da vida. Curiosamente, aqui o Ocidente e Oriente se encontram na relação da teoria de Heráclito ao símbolo Taoista do Yin e Yang, onde temos o preto e o branco, mas ao mesmo tempo um pouco do preto no branco e do branco no preto. Os opostos que também se complementam.

Nesse paradoxo vemos que a vida é feita de conflitos e mesmo que busquemos a paz, sempre haverá momentos de conflito que, enfim, nos mostram que estamos vivos. Paz não é inação, mas a harmonia dos opostos. Afinal, os conflitos nunca deixam de existir em nossa vida diária, a cada passo que damos.

Durante um combate em artes marciais temos dois opostos, um conflito. Não só um conflito entre duas pessoas. Mas, um conflito entre a estagnação e a ação, entre o medo e a coragem. Muitos podem olhar de uma forma rasa como se o embate entre dois artistas marciais fosse apenas uma expressão da violência, um querendo derrotar o outro. Contudo, qualquer um com dois dígitos de QI sabe que existe muito mais em jogo. Existe estratégia, existe um grande trabalho de concentração, de domínio dos próprios medos, de desafio dos limites do seu corpo, da busca da paz após o extravasar de seus demônios internos. Findado o combate, ambos se cumprimentam respeitosamente, sabendo que deram o seu melhor e que precisam progredir em suas limitações.

No entanto, não termina aí... lembram do paradoxo? Pois ele continua. O artista marcial sabendo da sua superioridade em combate, não vê necessidade de atacar o mais fraco. Pois conhece suas habilidades. Esquiva-se do conflito, assim como o monge que falamos inicialmente vencendo sem precisar da violência. Como dizia Morihei Ueshiba “Resolver os problemas antes de eles tomarem forma é o caminho do guerreiro”.


Mas, como Sun Tzu na Arte da Guerra, essa estratégia pode ser levada para a vida. Basta vermos o combate como os conflitos da nossa própria vida. Precisamos foco, atenção plena, saber antever os golpes, saber esquivar e atacar na hora certa.

Desta feita, vemos que a atitude do monge do inicio do nosso texto continua sendo a paz, embora o conflito tenha sido inevitável. E quando o conflito é necessário, temos que ter estratégia, foco e paciência para vencê-lo e retomarmos o equilíbrio. Assim é o combate, assim é a vida.

Na primeira nobre verdade do Budismo está escrito: O mundo é sofrimento.  Portanto, é conflito. Nas outras três nobre verdades, Budha nos alerta que devemos reconhecer a causa do sofrimento, saber que podemos eliminar esse sofrimento e, por fim, buscar a estratégia que nos levará a cessação do sofrimento.

Por mais paradoxal que possa parecer, a arte marcial, uma “arte da guerra”, nos proporciona chegar a paz.

Paz Profunda!!

Prof. Guilherme Fauque

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Sonhando acordado ou acordado enquanto sonha

 

Sonhando acordado ou acordado enquanto sonha

 

29 de Mais de 2021 – PHASE TODAY

Baland Jada, cientista das Universidades de Harvard e Cambridge, estuda o tópico da paralisia do sono. Em seu novo artigo publicado no jornal Big Think, o pesquisador abordou vários questionamentos referente ao fenômeno, do qual cerca de 20% das pessoas do planeta já experimentaram pelo menos uma vez.

A paralisia do sono ocorre com mais frequência quando estamos em estado de privação do sono, quando tiramos uma soneca durante o dia ou quando acordamos enquanto ainda estamos no período REM (movimento rápido do olhos). Junto com a incapacidade de se mexer (que por si só já é muito assustador), esta experiência é frequentemente acompanhada de alucinações. Algumas das alucinações mais comuns experimentadas por aqueles que passam pelo fenômeno inclui a impressão de estar olhando para si mesmo fora do seu próprio corpo, bem como a presença de criaturas assustadoras. Jalal, no entanto, explica que estes dois casos são atividades disruptivas de uma área específica do cérebro (a junção temporoparietal). Esta área é responsável por nos auxiliar a distinguir o “Eu” do “Outro”. Durante o sono REM, ela é desligada e nós podemos nos ver de uma perspectiva de terceira pessoa. Similar as desordens que ocorrem durante a paralisia do sono.

Se uma pessoa na paralisia do sono vê um fantasma, uma sombra assustadora ou um monstro, isto pode ser uma projeção do seu próprio corpo que pode ser tomado por engano como um ser separado. Esta hipótese ainda não foi provada. Mas, é consistente com as observações disponíveis.

Jalal tem investigado repetitivamente as características culturais da percepção da paralisia do sono em diferentes países. Por exemplo, na Dinamarca as pessoas consideram-na um fenômeno trivial ativado pelo cérebro, enquanto para os italianos, está associado com o mito de Pandafeche (um demônio que fica sobre o corpo). Para os egípcios, a paralisia do sono é causada por um gênio, um espírito que pode matar suas vítimas. Muitos egípcios realmente temem morrer durante uma experiência de paralisia do sono e passam três vezes mais frequentemente pela paralisia do sono do que os dinamarqueses.

O problema é que o medo aumenta a probabilidade da paralisia do sono, bem como a sua duração e leva a alucinações mais intensas. Jalal também afirma que em sua última pesquisa, que será publicada em breve, demonstra que a paralisia do sono, acompanhada por alucinações e crenças culturais, podem ser a causa real de sintomas de traumas de ansiedade.

Uma das formas de combater a paralisia do sono é entrando em um sonho lúcido (SL). Tanto a paralisia do sono, quanto o sonho lúcido, são chamados de estados de fase, um conceito que também inclui experiências fora do corpo. De acordo com Jalal, tanto as pessoas que sofrem com a paralisia do sono, tanto quanto os sonhadores lúdicos, encontram-se entre o estado REM e a vigília, mas o primeiro está sonhando acordado, enquanto o último está acordado enquanto sonha. O sonho lúcido pode dar a sensação de controle da situação e assim ser terapêutica.

Fonte: Dreaming While Awake or Awake While Dreaming – Phase Today

Tradução: Guilherme Fauque

domingo, 11 de abril de 2021

SERIA A REALIDADE UM SHOW DE TRUMAN?


O que você faria se descobrisse que sua vida inteira e tudo o que o rodeia não passassem de uma grande encenação? Que tudo o que você vivenciou até o momento não passasse de um grande teatro do qual você é o único que não está ciente da encenação? Pois esta era a situação de Truman Burbank no filme “O Show de Truman”.

O filme do diretor Peter Weir nos apresenta uma bela crítica à fragilidade do que chamamos de realidade, onde nossos sentidos podem ser enganados e nossos pensamentos manipulados de tal forma que não percebamos que estamos vivendo como autômatos numa vida de aparências e da qual acreditamos ser a única realidade.

Truman Burbank, interpretado pelo caricato Jim Carrey, é um pacato vendedor de seguros na bela SeaHaven, um verdadeiro paraíso terrestre situado em uma ilha, onde tudo desenrola-se de forma perfeita e harmônica. Ali Truman nasceu, cresceu e casou-se. Adquiriu uma bela casa, um bom carro e a única tragédia em sua vida era a morte de seu pai, durante uma tempestade enquanto pescavam, que foi a gênese de um trauma do mar que o impossibilitava de sair da ilha.

No entanto, logo descobrimos que esta aparente vida perfeita, na verdade, desdobra-se num grande cenário, onde tudo não passa de uma grande encenação para um reality show transmitido 24 horas por dia desde o nascimento de Truman e ele é o único que não sabe disso. Sua casa, seu trabalho, seu melhor amigo, seus pais e até sua esposa não passam de uma grande farsa transmitida ao vivo.

Logo no começo do filme vemos o diretor do reality show, Christof, dizer que na vida de Truman não há encenações, “deixas” ou roteiros, as emoções são todas reais. Afinal, conclui ele, “nem sempre é Shakespeare, mas é genuíno... é a vida dele”. E então nos perguntamos, será que uma vida de aparências pode ser dita como genuína?

Noutro momento o melhor amigo de Truman, também um ator, diz numa entrevista: “É tudo verdade. É tudo real. Nada aqui é inventado, nada do que virem neste filme é falso. É apenas controlado”. E mais uma vez nos perguntamos: Se tudo é controlado e manipulado, sendo que Truman está sendo totalmente ludibriado desde o seu nascimento, podemos chamar a sua vida de real?

Analogamente lembramos-nos da Alegoria da Caverna, relatada no Livro VII da República de Platão, onde três prisioneiros são mantidos acorrentados, com suas cabeças voltadas para o fundo de uma caverna, desde que nasceram, em completa alienação quanto a vida externa. Tudo o que conhecem é o que lhes é apresentado perante sombras refletidas na parede, provindas de uma fogueira entremeio a eles e a saída da caverna. Esta é a única realidade que conhecem; aquela com a qual conviveram desde o seu nascimento.

Não obstante, um dos presos é liberto e levado à saída da caverna. Enfrentando um doloroso processo de adaptação e descoberta, ele compreende que havia vivido até aquele momento num mundo de sombras. Mas agora desvelava-se diante de si um mundo de cores, luz e formas definidas. Deslumbrado com a realidade que despontava a sua frente, deu-se conta que tudo o que até então acreditava ser real era apenas parcialmente real.

Desta feita, fica claro que para Platão o real estava no mundo dos ideias. Para Truman, por outro lado, estava no exterior do cenário de SeaHaven. Analogamente, percebemos que enquanto estivéssemos na caverna ou em “SeaHaven”, estaríamos no âmbito daquilo que Platão chamava de “sombras”. Não há certezas, tudo é confuso e imperfeito quando visto de um nível mais “elevado”. Assim, ao buscarmos a verdade fora da caverna (ou do cenário), entraríamos, então, ao nível da episteme ou do “conhecimento”, onde poderíamos ver com mais clareza a realidade. Para Platão esta era a solução para encontrar o Bem Supremo, ou seja, a verdade e a liberdade. Já para Truman, no entanto, talvez seja só mais um nível de uma realidade de aparências, embora certamente seja um passo a mais em direção a verdade almejada.


É evidente que SeaHaven não deixava de ser um grande cativeiro para Truman, que na sua condição de ignorância e manipulação assemelhava-se aos prisioneiros da caverna de Platão, agrilhoados diante de uma parede. Truman, no entanto, numa atitude corajosa, buscou impavidamente descortinar a realidade, diferente, por exemplo, dos seus telespectadores, que ao findar o show, não mudaram sua condição mental e mostrando uma atitude mais alienada do que Truman em seu cenário, ou do que os prisioneiros da caverna de Platão, permaneceram presos à frente da televisão, simplesmente trocando o canal a procura de uma nova programação.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Morte e a Busca de Sentido para a Vida



Na história da filosofa, a morte é um tema par excelecia. Quiçá, asseguram alguns estudiosos, seja até mesmo a genetriz dos raciocínios filosóficos, visto que com a consciência da morte, sobrevêm grandes questões existenciais. Assim sendo, embora pareça um tanto paradoxal, a temática da morte nos faz refletir sobre o sentido da vida.

Realmente, não podemos negar que ela é como uma sombra oculta a cada passo que damos, guiando-nos em direção ao derradeiro desfecho. Sem exceções a morte leva reis e plebeus, ricos e pobres, religiosos e ateus. Aliás, não só nós, humanos, mas tudo o que é vivo, formando um ciclo inevitável de vida e morte.

Confirmando esta realidade, o escritor francês Leon Denis (1846-1927) asseverou-nos, na sua obra Além da Morte, que a transição da morte não se dá unicamente com o ser humano, mas que as próprias civilizações participam deste ciclo.

Nas palavras de Leon Denis:

Vi, deitados nos seus sudários de pedra ou de areia, as cidades famosas da Antiguidade, Cartago, com brancos promontórios, as cidades gregas da Sicília, o campo de Roma, com seus aquedutos trincados e túmulos abertos, as necrópoles que dormem seu sono de vinte séculos sob a cinza do Vesúvio. Vi os últimos vestígios das cidades antigas, outrora formigueiros humanos, hoje, ruínas desertas que o sol do Oriente calcina com suas ardentes carícias. (DENIS, p.11, 2004)

Seguindo na esteira desta realidade surgem, então, profundos focos de questionamentos existenciais que levam, como nos dizia Schopenhauer, a angustiadas buscas de significação.

De qualquer forma, parece-nos manifesto que a preocupação dos grandes filósofos não está exatamente com o morrer, mas com as implicações existenciais do viver perante a realidade da morte como transição final inevitável desta personalidade. Isto fica evidente nas palavras de muitos grandes filósofos. Lucrécio, por exemplo, afirmava não temer a morte, pois onde ela estivesse ele não estaria. Sócrates, no belo diálogo Fédon, também afirmou não temer a morte, pois assim poderia estar entre os deuses e os grandes nomes que já partiram. Portanto, reiteramos que a morte, em si, não é o grande problema, mas as questões que surgem ao pensar nela sim. Por que estou aqui? O que me faz lutar pela vida se no fim tudo acabará? Quem sou eu? Qual o sentido da vida? Para onde estamos rumando? Entre outras muitas questões que surgem com a consciência de nossa morte física.

Grandes questões como estas formam a própria história da filosofia desde os seus primórdios. Respondê-las tornou-se a vida de muitos filósofos e gerou fantásticos sistemas de pensamento que revolucionaram o caminho da humanidade. Ou seria um exagero dizer que a consciência de nossa finitude física tenha impulsionado grande parte dos nossos questionamentos filosóficos? Creio que não. Pode parecer paradoxal, mas a consciência da morte impulsiona a busca de sentido da vida.

REFERÊNCIAS:

DENIS, Leon. Depois da Morte. São Paulo: FEB, 2005.

PLATÃO. Fédon. Tradução: Miguel Ruas.São Paulo: Martin Claret, 2004.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Live n.02 - Primeiras Experiências Projetivas!

Vamos para a segunda live! Agora no meu canal, Prof. Guilherme Fauque - Aventuras Além do Corpo (link abaixo do vídeo). 

Nesta segunda live iremos falar um pouco sobre as primeiras experiências de cada um de nós. Os participantes serão os mesmos, ou seja, eu, Alexei Bueno, Renato, Daniel, Júlio e Luiz Roberto Mattos. 




segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Grande Iniciados - Eliphas Levi

 

ELIPHAS LEVI

 

Por Prof. Guilherme Fauque

Dentre os grandes mestres do pensamento ocultista figura alguém do qual é quase impossível não se falar nos dias de hoje quando nos referimos a tradição magista contemporânea. Ele foi um dos grandes nomes do esoterismo ocidental, além de um grande iniciado na Alta Magia. Escreveu obras que até hoje, mais de um século depois de sua transição, ainda é leitura obrigatória a todo pesquisador das artes mágicas que se prese. Estou falando de ninguém menos do que Alphonse Louis Constant (1810-1875), ou, mais comumente chamado de Eliphas Levi.

Vivendo em uma época onde já não mais precisava se preocupar com as garras da mal fadada inquisição, ainda assim, Eliphas Levi vivia em um momento marcado pela repulsa aos temas ocultistas pela, então crescente, ciência materialista. Desta feita, embora não sofresse perigo de morte mediante a Inquisição, sofreria com a repulsa científica às suas pesquisas.

Curiosamente, Eliphas Levi iniciou-se na busca espiritual, aos 10 anos de idade, num presbitério de Saint Louis, onde foi apresentado aos rudimentos do Catolicismo. Aos 15 foi admitido ao Seminário de Saint Nicolas du Cardonnet em regime de internato. Aos 20 anos foi enviado ao Seminário de Issy, onde estudou Filosofia e, dois anos depois, iniciou seus estudos em Teologia em Saint-Sulpice, sendo, por fim, ordenado subdiácono.

Neste momento, Levi foi incumbido de ser o catequista de um grupo de meninas, onde veio a conhecer Adéle Allenbach, uma adolescente enfermiça, porém, conta-se, de uma beleza virginal.

Levi tomou-se de uma paixão terna pela moça. Contudo, não a desejava como mulher, mas a venerava como uma deusa, num típico caso de amor platônico.

Logo, Levi foi ordenado Diácono e, um ano depois, nos seus 26 anos, prestes a se tonar um sacerdote, confessou aos seus superiores o seu amor platônico por Adéle Foi então que sofreu um duro golpe. Levi foi afastado da vida religiosa. Para piorar seu suplício, a mãe de Levi, ao receber a notícia do afastamento do filho da vida religiosa, acabou suicidando-se.

Longe da vida religiosa, trabalhou como pintor e jornalista por algum tempo. Mas, em 1839, três anos após sua expulsão da Igreja Católica, ingressou na comunidade Solesmes, onde debruçou-se sobre os livros estudando sobre os primeiros padres da Igreja, sobre o Gnosticismo e, pela primeira vez, tendo contato com livros de cunho ocultista. Estas novas concepções espiritualistas abriram a mente do jovem Levi, libertando-o de ideias agrilhoadas que até então tinha.

Assim, com novas concepções sobre a espiritualidade, Levi abandonou Solesmes e procurou ganhar a vida com empregos conseguidos aqui e acolá. Contudo, sua grande vontade, agora, era escrever um livro revelando as descobertas de fé que havia adquirido, libertando as pessoas dos dogmas arraigados de uma fé distorcida.

Levi publicou um audacioso livro chamado A Bíblia da Liberdade, que lhe rendeu uma multa de 300 francos e 8 meses de prisão. No entanto, isso não dissuadiu Levi de desvendar os mistérios e dogmas da fé. Aos 31 anos publicou O Livro das Lágrimas.

Logo, Levi veio a casar-se com Marie Noémi, com quem teve uma filha que nasce enfermiça, tendo sobrevivido somente até os 7 anos de idade, causando grande sofrimento a Eliphas Levi, levando, provavelmente, a separação do casal em 1854.

Para aplacar seu sofrimento, dedicou-se aos seus estudos, onde estreitou laços de amizade com o grande ocultista inglês Edward Bulwer-Lytton, escritor da novela iniciática Zanoni. Consta que iniciou-se e realizou experiências mágicas junto a Lytton, mas, obviamente, manteve-se em silêncio sobre isso. Embora não possamos saber ao certo, diz-se que juntos, em um final de semana de julho de 1854, realizaram rituais de Alta Magia envolvendo visões de Cristo, São João e Apolônio de Tiana. Nesse mesmo ano, Levi fez um retiro para dedicar-se ao estudo da Cabalá, na qual descobriu ser uma grande síntese religiosa, filosófica e científica da ciência mágica tradicional do Ocidente, representada no Livro de Toth, com suas 22 páginas (os 22 arcanos maiores do Taro) em correspondência com as 22 duas letras do alfabeto sagrado (Hebraico).

A título de curiosidade, foi neste mesmo ano de 1854 que nasceu o grande ocultista Samuel Liddel Matters, fundado da Ordem Hermética da Golden Dawn, que revolucionou o ocultismo ocidental.

Como resultado dos estudos de Levi tivemos as suas mais representativas obras: Dogma e Ritual de Alta Magia, História da Magia e Chave dos Grandes Mistérios.

Levi viveu uma vida digna e humilde, dedicado aos estudos, a prática espiritual e ao silêncio. Morreu aos 65 anos, em 1875, rodeado de amigos e contemplando serenamente um crucifixo.

Neste mesmo ano nasceram Carl Gustav Jung, Edward Alexander Crowley e deu-se a fundação da Sociedade Teosófica.

Referência para este artigo:

LEVI, Eliphas. Dogma e Ritual de alta Magia. São Paulo: Madras, 2018.

Pensando sobre a Pesquisa Austríaca sobre EQM

Olá amigos O artigo recentemente publicado pelos pesquisadores austríacos no que tange as experiências de quase morte, apesar de uma longa p...